quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Passeio Esdruxulo
Parece que estou sumindo
Hoje olhei para o céu, me vi nas nuvens
Acordado aprisionado em sonhos 
Meus amigos pegaram a Barca
A Barca de Noé
Conheciam Noé
Disseram que a Barca estava repleta de bichos felizes
Salvos , Esqueceram de mim ...Nome de filme
Esqueceram de Mim número 10 ..Lembrei do garoto do filme
Sumindo . As pessoas não tem mais tempo ,esquecem
Estão muito apressadas
Vi a Barca naufragar no céu , voar no mar
Acenavam lenços?
Não tive certeza ,tudo era branco azulado , borrado
Sorrindo acenei Adeus , ou seria Help !?
Ir indo , como a música de Caetano
Araça Azul
Procurei alguns bons olhos
Desconhecidos, nem amigos , nem inimigos
Gente apressada , anônimos ,como eu
Sombras de mim
Raros me olharam , estranharam
Como se eu fosse da Barca
Será que foi febre ? Alucinava
Pressão em queda livre
Porquê o o Metro ? Buscava a Barca
Laurinha sorria do calor e do frio
A força de Laura, minha mãe,
Que antes de morrer andava sumindo
Perdia-se pela cidade ,talvez buscasse a Barca
Sem pagar , sem catraca , Rg amassado
Quase apagado pelas chuvas
Orgulhoso como ela fiquei em pé nos trens , ,fui ao léu
Tonteava e disfarçava
Descendo e subindo em qualquer estação
Vila Matilde enfim, o breque de tudo
Do mal estar dos trens e da respiração tensa
Desci finalmente , A Barca na cabeça
Lembrei de Nenê , escola azul como a Portela querida
Entrei na igreja
Poderia estar em Amsterdam?
Seria a mesma coisa
Pois estaria sumindo,e procurando em vão
Engraçado sumir
Não dói quase nada i
É como escrever sem nenhuma rima
Sem nenhum esforço para agradar
Apenas dominar a ansiedade
E não sufocar
Por ter perdido a Barca

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O pior de dormir só 
É não poder perguntar 
Você viu se tomei o remédio ?
Atravessou fora da faixa de segurança 
Andava distraído , só, cabeça vazia 
Atravessou ....
Não houve tempo , 
No anonimato se identificou 
Alguém chamou o SAMU
Revistaram-lhe os bolsos / NADA
E lá se foi ....Para onde ?
Alguém comentou com sarcasmo
"Culpa dele desatento
Parecia voado "
Gente velha que fique em casa"
Atrapalham
Estão fora do Tempo"
O Sorvete
Pensei que o sorvete era meu
Fazia calor ,,e como faz calor
Nunca precisei tanto de um sorvete
Alguém roubou meu sorvete
Depois ligou estalando a língua
Adora me ver sofrer
Disse que tomava sorvete
Que não ficava resfriado
Disse que era o rei dos gelados
Disse que minha saúde era o que importava
Lambeu novamente o sorvete , sem pazinha
Estalou mais alto a língua
Mordeu levemente a casquinha
Delicia ...suspirou !
As vezes é melhor silenciar
Eu quieto,e ele estalando a língua
Uma cena vulgar no celular
Absorvente repetiu
Que só queria meu bem
Que nossa amizade era eterna
Que adorava até minha família
Fiquei pensando no meu sorvete derretendo
Fiquei pensando nas amizades geladas
Fiquei pensando em desligar
Fiquei com muita sede
Sede de sorvete
Sede de vingança
Sede de ficar só
Pensei num café , pão de queijo
Em todas alternativas
Não vingou
O gelado tomou conta de meu corpo
Uma amizade as vezes acaba no golpe do sorvete
Quando lhe roubam as esperanças
Quando lhe roubam os detalhes da amizade
Uma verdadeira amizade é feita de detalhes
Uma bola de sorvete por exemplo
Era de creme ?
Não lembro , derreteu com o amigo
PROCURANDO
Deus será ?
Este pedido que a dor passe
Quando ela teima em ficar ?
Deus será ?
Esta falta de conversa , que peço
Para as paredes , para o vento ,para o luar ?
Deus será ?
Esta solidão de Clarice
Esta vontade de dormir
Esta palpitação no peito , o susto
Este ir e não ir ?
Deus será ?
O pedido de joelhos
Feito pra N.Sra
Feito pra todos os Santos
Feito pra todos meus mortos
Feito pra quem quiser
Pra quem puder escutar ?
Até para os vivos pergunto
Deus será ?
Será que existes pra mim ?
Ou apenas para aqueles que até
Brilham os olhos
Brilham os olhos por fé ?
Deus para os que tem fé ?
Até aí penso entender
No entanto enfastiado
Enjoado no meu canto
Pergunto meio engasgado
Dai-me fé
Que estou tão cansado ?
Tão mareado estou
My sweet lord
Onde devo te encontrar
O lado da cruz ? O lado da luz ?
Que lado se deve olhar?
Para ter um pouco de ti
Para poder acalmar
Para poder sossegar
Deus amigo , por favor
Entre em casa , disponha
Dizem que a casa é sua
Que assim seja !
Se quiser
EU?
Só a gente escuta
O que nosso corpo fala
O que nosso corpo diz
Só a gente encena
Prá esconder dos outros
Nosso corpo ator ,
Nosso corpo atriz
Somos algo além do corpo ?
O corpo é algo além de nós ?
Te olho corpo no espelho
E vejo parte de ti
Um olho , um rosto , uma perna
Um dente sujo de carne
Uma lembrança de mim
Corpo que eu habito?
Ou Corpo que habita em mim ?
Somos dois , somos um
Somos quantos ?
Parecemos um grupo ,
O que CORPO somos entao ?
Inventamos brincando juntos
A palavra Solidão
Visita esperada
Com o coraçao desatento
Aguardo que a porta caia
ABRACADABRA 
E ela com olhar amoroso , vindo de longe
Nem perceba o vento
Levantando-lhe a saia
AMIZADE
E eu que admirava tanto 
Mas tudo na vida cai 
E o véu caiu 
Não quis mais olhar seu rosto 
Seu rosto desconhecido
Abaixei a cabeça
O véu sujo de pó
Do pó do chão
Encurvado , dobrei as pernas
As mãos tremendo
Com o que sobrara
O véu ...
Lavei , quarou , secou
Guardá-lo com carinho
O Véu
Até que esgarce
Como dizia o Poeta
O Poeta Drummond Maior
No verso maior
De tudo fica um pouco
Peço Perdão ao Poeta
Atrevo-me a brincar
Atrevo-me a não amar
DO POUCO FICA UM TUDO
Gigantesco , pesando nos ombros
Até que esgarce
E vire Pó